OPERAÇÃO HERITAGE|: Desembargador do TJMT é alvo da PF em investigação sobre acordo de R$ 308 mi

DA REDAÇÃO:LEIAMT

O desembargador do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), Ricardo Almeida Gomes, é um dos alvos da operação deflagrada pela Polícia Federal (PF) nesta quinta-feira (6). A investigação apura um suposto acordo firmado entre o ex-governador Mauro Mendes e uma empresa de telefonia. Segundo informações divulgadas pelo portal UOL, Ricardo é investigado por sua atuação como advogado na intermediação desse acordo, antes de tomar posse no TJMT, em novembro de 2025.

Além dele e de Mauro Mendes, também são investigados o ex-chefe da Casa Civil e candidato a vice-governador de Mato Grosso, Fábio Garcia, e um conselheiro do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou o cumprimento de mandados de busca e apreensão nas empresas envolvidas.

A ação da Polícia Federal decorre da Operação Heritage, que investiga supostas práticas de crimes contra o Sistema Financeiro Nacional, incluindo peculato e uso indevido de informação privilegiada. Ao todo, são cumpridos 25 mandados de busca e apreensão nos estados de São Paulo, Rondônia, Ceará e Mato Grosso.

Os investigados também são alvo de medidas de bloqueio e indisponibilidade de bens que, somadas, podem chegar a R$ 316 milhões, além da quebra dos sigilos bancários.

O ESCÂNDALO DA OI

O escândalo da Oi em Mato Grosso se refere a uma suposta negociação sigilosa pela qual o governo estadual concordou em pagar R$ 308 milhões para encerrar uma disputa judicial com a operadora. Os direitos creditórios da dívida haviam sido comprados meses antes, por R$ 80 milhões pelo então advogado Ricardo Almeida.

O acordo foi firmado em abril de 2024 dentro da Câmara de Conciliação do Estado, sem divulgação pública dos termos, e o dinheiro não foi enviado diretamente à Oi, mas a dois fundos recém-criados, o que levantou suspeitas sobre a legalidade e a transparência da operação.

A partir desse pagamento, investigações da Polícia Federal, Ministério Público, Tribunal de Contas e Comissão de Valores Mobiliários identificaram um fluxo financeiro considerado atípico, envolvendo repasses dos fundos para empresas ligadas a familiares do governador Mauro Mendes, do deputado Fábio Garcia e ao escritório de Almeida.

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