SALTO EXPRESSIVO| Mato Grosso registra aumento de 15% na população carcerária, aponta Anuário

DA REDAÇÃO>LEIAMT

A população carcerária de Mato Grosso cresceu de forma expressiva entre 2024 e 2025, segundo dados do Sistema de Informações do Departamento Penitenciário Nacional (Sisdepen) presentes no Anuário de Segurança Pública divulgado esta semana. O estado passou de 19.606 pessoas privadas de liberdade em 2024 para 22.636 em 2025, um aumento de 15,4%.

O crescimento local ocorreu em um cenário de expansão da população carcerária brasileira, que passou de 909.594 pessoas em 2024 para 964.668 em 2025. Com isso, Mato Grosso passou a ter um percentual maior de reeducandos no país, saltando de 2,15% para 2,35% de um ano para o outro.

O número de pessoas custodiadas em carceragens de delegacias no estado subiu de 58 em 2024 para 79 em 2025, reforçando a pressão sobre estruturas não destinadas ao encarceramento prolongado.

O avanço de mais de 3 mil pessoas em um ano coloca Mato Grosso entre os estados com maior crescimento proporcional da população privada de liberdade. O aumento pode refletir tanto maior atividade policial quanto dificuldades na ampliação de vagas no sistema prisional.

Apesar do crescimento, Mato Grosso está distante dos maiores sistemas prisionais do Brasil. São Paulo lidera com 207.660 presos em 2024 e 223.118 em 2025, seguido por Paraná, Minas Gerais e Rio de Janeiro.

No ranking nacional, Mato Grosso aparece aproximadamente na 11ª posição, acima de estados menores como Roraima, Amapá, Sergipe e Tocantins, mas bem abaixo dos grandes centros populacionais.

A publicação considera que o sistema carcerário é um dos principais gargalos no enfrentamento para melhorar a segurança pública no pais.

“Com altos números de encarceramento por vários anos, num sistema que nunca conseguiu prover o número de vagas adequado e sem a devida atenção em medidas de ressocialização, vimos o surgimento no interior dos estabelecimentos prisionais das principais facções criminosas do Brasil (Comando Vermelho, no Rio de Janeiro, e Primeiro Comando da Capital, em São Paulo, para citar somente as maiores)”, diz trecho do documento do Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

De acordo com o Anuário, a falta de número adequado de vagas e sem a “devida atenção à ressocialização”, as facções se multiplicaram nos presídios, promovendo mercados ilícitos e disputas internas.

“A política de encarceramento aliada às condições inadequadas fizeram com que esses grupos fossem crescendo ano após ano, consolidando uma estrutura cada vez mais complexa, ocasionando também disputa por controle territorial e mercados ilícitos diversos”, completa a publicação.

hnt.

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