|DECISÃO|: MP pede que prefeito fique afastado por 6 meses, diz que ele tentou obstruir inquérito e pôs ‘lobo em galinheiro’
DA REDAÇÃO:LEIAMT
Em uma nova ação, o Ministério Público Estadual (MPE) pede à Justiça que o prefeito de Cuiabá Emanuel Pinheiro (MDB) permaneça afastado do cargo por seis meses ou durante todo o período de investigação de irregularidades nas contratações de servidores comissionados na Secretaria Municipal de Saúde e no pagamento irregular do prêmio-saúde. Emanuel foi afastado das funções na terça-feira (20).
O advogado de Emanuel informou que já tem conhecimento dessa nova ação, mas que ainda não tem sabe o teor dela.
A ação também pede a indisponibilidade de bens do prefeito no valor de R$ 16 milhões, segundo o MP para a reparação de danos aos cofres públicos de Cuiabá, de acordo com o prejuízo causado pelo esquema, e multa de R$ 32 milhões que corresponderia ao dobro do valor do dano causado ao erário.
Segundo o MP, o prefeito tentou obstruir a investigação de irregularidades na Secretaria Municipal de Saúde.
A continuidade do inquérito para apurar outros casos de funcionários fantasmas e de descumprimento da jornada de trabalho diária foi impedido por ordem direta do prefeito Emanuel Pinheiro, através do chefe de gabinete, Antônio Monreal, o que impediu que mais casos fossem descobertos.
“De forma clara e evidente, o prefeito municipal obstruiu a instrução do procedimento investigativo e, diferente não será durante o trâmite desta ação civil pública, caso permaneça no cargo, onde haverá de ser produzidas as provas obstadas”, diz trecho do documento.
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Célio Rodrigues foi nomeado secretário de Saúde de Cuiabá após a saída de Ozenira Féliz — Foto: Assessoria
Mesmo sabendo de fraudes no órgão ainda promoveu um dos investigados ao cargo de secretário, segundo aponta o MP, se referindo ao ex-secretário de Saúde, Célio Rodrigues.
Segundo a ação, ele estaria praticando irregularidades, como supostos direcionamento de licitação e pedido de propina, logo após outro secretário ter sido afastado por indícios de corrupção, o nomeou ao cargo máximo da Secretaria de Saúde.
Cerca de um mês após assumir a função, Célio foi afastado do cargo por decisão judicial deste ano. Antes de ocupar o posto de secretário, ele atuava na Empresa Cuiabana de Saúde e também era investigado.
“Conclusão outra não há, se não de que o ora réu [Emanuel Pinheiro] não tem qualquer interesse que se predomine a lisura no serviço público, ao contrário, fez questão o de colocar o ‘lobo no galinheiro'”, diz outro trecho da ação.
A Promotoria também argumenta que Emanuel tentou atrapalhar as investigações ao mudar a folha-ponto dos funcionários para relógio digital, que há anos estava sem utilização. Segundo o MPE, a mudança foi feita para que o órgão desistisse de fiscalizar e para que o gestor se desvencilhasse do esquema de fraude praticado até então.
Na operação de terça-feira, além de Emanuel Pinheiro, também foram afastados a secretária-adjunta de Governo e Assuntos Estratégicos, Ivone de Souza, e o chefe de gabinete, Antônio Monreal Neto.
O chefe de gabinete foi preso temporariamente. A defesa dele recorreu da decisão e a Justiça negou a soltura nessa quinta-feira (21).
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Huark Correa firmou acordo e delatou esquema na Saúde — Foto: TVCA/Reprodução
As investigações
As investigações apontam a existência de suposto esquema de contratações irregulares de servidores temporários no órgão para atender interesses políticos do prefeito
O inquérito foi instaurado pelo MPE com base nas declarações do ex-Secretário de Saúde de Cuiabá, Huark Douglas Correia, extraídas do acordo de delação firmado com a 9ª Promotoria de Justiça Cível da capital.
Huark decidiu fazer a delação após descobrir que a Polícia Civil apurava a existência de possíveis irregularidades na contratação de servidores temporários para o Pronto Socorro Municipal de Cuiabá, no período março a dezembro de 2018, época em que ele ocupava o cargo de gestor da Secretaria de Saúde de Cuiabá.
Ele disse que durante o período de sua gestão, a Secretaria de Saúde de Cuiabá teria contratado mais de 250 servidores temporários, cuja contratação, em sua maioria, teria sido realizada para atender interesses políticos do prefeito de Cuiabá e que o próprio Emanuel Pinheiro teria dito ao secretário que as referidas contratações seriam um ‘canhão politico’,que eram levadas a cabo por indicação política, principalmente de vereadores, e visavam retribuir ou comprar apoio político.
Além disso, a investigação aponta que a folha de pagamento de pessoal da Secretaria de Saúde de Cuiabá era uma das maiores despesas da pasta, chegando ter em média 5.400 servidores e que o número de temporários era superior a dos efetivos.
Emanuel Pinheiro, Antônio Possas e Huark faziam reuniões no escritório ao lado da casa do prefeito, fora do horário de expediente, e na época devido ao alto valor do orçamento de pessoal, foi sugerido um corte de funcionários em torno de 800 a 1.000 funcionários temporários da área meio administrativo, mas isso não aconteceu, declarou Huark.
fonte;g1