OPERAÇÃO INTERFACE|: Polícia Civil deflagra megaoperação contra golpe do “Falso Executivo” em MT e RN
DA REDAÇÃO:LEIAMT
A Polícia Civil de Mato Grosso participa, na manhã desta terça-feira (9), da Operação Interface, que tem como objetivo desarticular uma organização criminosa especializada em estelionatos eletrônicos por meio do chamado golpe do “Falso Executivo”. A ação é coordenada pela Polícia Civil do Rio Grande do Sul e ocorre simultaneamente em diferentes estados.
Ao todo, estão sendo cumpridas 87 ordens judiciais nos estados de Mato Grosso e Rio Grande do Norte, incluindo 60 mandados de busca e apreensão e 27 mandados de prisão. Também foi determinado o bloqueio de contas bancárias ligadas aos investigados para impedir a movimentação dos valores obtidos com os golpes.
Em Mato Grosso, são cumpridas 48 ordens judiciais, sendo 32 mandados de busca e apreensão e 16 mandados de prisão. Os alvos estão localizados em Cuiabá e Várzea Grande, sob coordenação da Delegacia Especializada de Estelionato da Capital.
As investigações tiveram início após uma empresa do setor industrial, localizada no Rio Grande do Sul, registrar prejuízo superior a R$ 193 mil. Segundo a apuração, criminosos criaram um perfil falso em aplicativo de mensagens utilizando a foto do presidente da companhia e passaram a enviar ordens de pagamento para uma funcionária do setor financeiro.
Como o executivo costumava solicitar transferências durante viagens de trabalho, a assistente financeira não desconfiou das mensagens e realizou diversas operações bancárias para contas indicadas pelos criminosos. A fraude só foi descoberta dois dias depois, quando ela percebeu o alto volume de pagamentos e verificou que o número utilizado não pertencia ao presidente da empresa.
A partir das investigações, a Polícia Civil identificou que o golpe foi articulado a partir de Mato Grosso, principalmente na região de Cuiabá. Após receber os valores, os integrantes do grupo realizavam uma série de transferências para diferentes contas bancárias com o objetivo de dificultar o rastreamento do dinheiro.
As apurações apontaram ainda que a organização criminosa possuía uma estrutura definida, com integrantes responsáveis por emprestar contas bancárias para recebimento dos valores ilícitos, recrutadores encarregados de captar essas pessoas e operadores responsáveis pela coordenação do esquema.
Segundo a polícia, os investigados utilizavam uma técnica conhecida como pulverização financeira, na qual os recursos eram rapidamente divididos e transferidos para dezenas de contas espalhadas por diferentes estados. A estratégia dificulta o bloqueio judicial e a identificação dos beneficiários finais do dinheiro.
Durante as diligências, os policiais identificaram o executor e o articulador do golpe, ambos com histórico de envolvimento em crimes semelhantes.
A operação conta com apoio de equipes da Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), Delegacia Especializada de Roubos e Furtos (Derf), Delegacia Especializada de Roubos e Furtos de Veículos (DERFVA), 2ª Delegacia de Polícia de Cuiabá, além das Polícias Civis do Rio Grande do Norte e do Rio Grande do Sul.
A Polícia Civil orienta que empresas adotem mecanismos de verificação para qualquer solicitação de transferência bancária, principalmente em casos que envolvam valores elevados, urgência ou alteração de dados bancários. A recomendação é que as confirmações sejam realizadas por mais de um canal de comunicação antes da efetivação dos pagamentos.
hnt.


