TERREMOTO|: MT registra quatro tremores de terra em 2026; geólogo explica fenômeno

DA REDAÇÃO:LEIAMT

Quatro cidades em Mato Grosso já registraram pequenos tremores em 2026. O primeiro foi em Barão de Melgaço, no dia 20 de janeiro, com magnitude de 2,1. O segundo ocorreu em Cocalinho, em 16 de março, e teve magnitude de 3,1. O último ocorreu no fim de semana (26 e 27) em Feliz Natal (a 511 km de Cuiabá). 

Enquanto nas três primeiras cidades o fenômeno foi isolado, o caso de Feliz Natal se destaca por terem sido registrados múltiplos tremores. Foram cinco contabilizados pela Rede Sismográfica Brasileira. O mais intenso foi registrado no sábado (26) de manhã, atingindo 3.2 na Escala Richter, considerado um sismo leve. 

Para quem está na região, a sensação é muito parecida com uma vibração que faz janelas, pratos e copos nas prateleiras chacoalharem levemente. Se você estiver sentado ou deitado em um andar alto, sentirá um balanço suave, como se alguém tivesse empurrado o sofá.

No ano passado, Mato Grosso contabilizou nove tremores de terra em todo o estado. Portanto, a situação não é incomum, apesar de causar estranheza. A explicação, no entanto, foge do clássico limite de placas tectônicas, como é comum ouvir quando terremotos de grande magnitude ou explosões vulcânicas ocorrem.

Hipernotícias conversou com o Presidente da Federação Brasileira de Geólogos e professor da Universidade Federal de Mato Grosso, Caiubi Kuhn, para entender o fenômeno.

Ele explicou que o planeta Terra está dividido em 14 placas principais, e outras placas menores. As placas estão sempre deslizando e se movendo lentamente em cima do manto. O Brasil está localizado na parte central de uma das principais, a Placa Sul-Americana. Isso já o coloca o país em uma zona mais segura de abalos sísmicos, se comparado a outros países como Chile, que está localizado na borda da mesma placa, porém em uma área onde é diretamente afetada pelo processo de convergência, ou seja, colisão, entre a Placa Sul-Americana e a Placa de Nasca. 

Nestas áreas de limite entre placas tectônicas, os esforços de movimentação da placa, vulcanismos e outros processos, são responsáveis pela ocorrência de terremotos frequentes e algumas vezes de grandes magnitudes. 

Segundo o professor, mesmo a placa Sul-Americana sendo inteira, ela possui estruturas, como antigas falhas geológicas. É comum no interior das placas tectônicas ocorrerem pequenas movimentações entre as rochas, em especial em áreas de bacias sedimentares atuais, ou próximas de estruturas geológicas. Essas pequenas movimentações geram tremores, que são bem menos frequentes, e em geral com intensidades menores, que os terremotos que ocorrem nas bordas da placa.  

“Embora Mato Grosso esteja bem distante das bordas da placa tectônica das Américas, onde é comum ocorrer terremotos, o estado possui um histórico de sismos, entre eles um dos maiores já registrados no Brasil, com magnitude 6,2 na escala Richter, que ocorreu em 1955, na região de Porto dos Gaúchos. Mas na área sul e sudeste do estado também é comum ocorrerem tremores de menor magnitude, devido a uma estrutura geológica que existe na região, que é o Lineamento Transbrasiliano”, explicou.

O Lineamento Transbrasiliano (LTB) é, basicamente, a “cicatriz” mais importante do nosso país. É uma zona de falha gigantesca que corta o Brasil inteiro, saindo do Ceará (na região de Sobral), atravessando o Centro-Oeste (incluindo Mato Grosso) e seguindo até o Paraguai. 

Em Mato Grosso, esse lineamento passa por regiões próximas onde ocorrem alguns desses eventos sísmicos. Muitos dos tremores registrados no estado estão relacionados a ramificações ou pressões que viajam por essa grande estrutura. Por outro lado, na região de Porto dos Gaúchos e proximidades de Feliz Natal, a causa dos tremores estão relacionadas a ajustes de blocos rochosos na região, é como se as camadas de rocha profundas estivessem se ajeitando para encontrar uma posição mais estável.

Com os quatro registros apenas neste início de 2026, Mato Grosso mantém sua média histórica de sismos de baixa intensidade e, apesar do susto que esses eventos podem causar, o professor Caiubi Kuhn reforça que tremores dessa magnitude dificilmente causam danos estruturais em construções bem feitas.  Ao sentir um tremor, o morador não deve entrar em pânico. Geralmente, esses eventos duram apenas poucos segundos e não evoluem para abalos maiores. Em Mato Grosso, o fenômeno serve mais como um lembrete de que a Terra, mesmo sob nossos pés aparentemente firmes, é um organismo vivo e em constante transformação.

No Brasil, a Rede Sismográfica Brasileira (RSBR) segue monitorando essas atividades em tempo real, permitindo que a ciência compreenda cada vez melhor a dinâmica do solo mato-grossense e garanta a segurança da população diante desses pequenos ajustes da natureza.

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